CONVERGÊNCIAS ENTRE A PACIFICAÇÃO DO ESPAÇO MOÇAMBICANO E O ESPAÇO FICCIONAL DE MIA COUTO

Rodrigo Ferreira Daverni

Resumo


O romance Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2002), do autor moçambicano Antonio Emílio Leite Couto, comumente conhecido como Mia Couto, evidencia, por meio de uma ficção, uma proposta de revitalização, pela via do literário, da sociedade moçambicana. Nessa perspectiva, sua poética repousa em uma relação dialética que se funda, sobretudo, entre a permanência (representada ou registrada pela existência do bairro rural denominado Luar-do-Chão) e a ausência (cidade, espaço da narrativa dedicado ao desenvolvimento, progresso e conforto, mas também o da perda da memória tribal, dos sentimentos, etc.), ambas demarcadas pela espacialidade. O presente trabalho tem por finalidade demonstrar como algumas temáticas comuns às literaturas africanas aparecem representadas na espacialidade do universo diegético miacoutiano. Percebeu-se, na obra do autor, que a organização do espaço ficcional indicia a convivência de culturas distintas. Para tanto, a sua literatura instaura uma terceira margem ao modo de Guimarães Rosa, um entrelugar, sugerindo que tradição e modernidade, o velho e o novo, os de lá e os de cá podem e devem caminhar a braços, dissolvendo, assim, o desrespeito à alteridade legado da experiência colonial moçambicana.
Palavras-chave: Mia Couto, espaço narrativo, Moçambique, alteridade.

Abstract
The novel Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2002), written by the Mozambican author António Emílio Leite Couto, also known as Mia Couto, brings out, by means of fiction, a proposal for revitalizing the Mozambican society with the help of Literature. In this perspective, his poetry depends on a dialectical relation between permanence (represented or registered by the existence of the rural district named Luar-do-Chão) and absence (city, space of the narrative dedicated to the development, progress and comfort, but also the one of the loss of the tribal memory, the feelings etc.), both determined by spatiality. This work aims at demonstrating how some issues which are common to the African Literature are represented on the spatiality of Mia Couto’s diegetic universe. In this work, it is observedthat the organization of the fictional space reveals the conviviality of distinct cultures. For this purpose, his Literature brings a third fringe represented by a place called Guimarães Rosa’s way, suggesting that tradition and modernity, the old and the new, the ones from there and the others from here can and must work together, extinguishing, therefore, the disrespect to alterity, a legacy of the Mozambican colonial experience.
Keywords: Mia Couto, narrative space, Mozambique, alterity.


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